primeiramente, nostalgia!
criando um ambiente nostálgico para sentimentos, poemas e saudade.
Pensei muito sobre como eu começaria isso aqui, tenho costume de escrever e guardar para mim, a ideia de ter outras pessoas lendo meus pensamentos me intimida um pouco, me lembra quando era criança e tinha vergonha de conversar com muita gente.
Quando entrei na escola alguns professores acreditavam que eu tinha algum “problema”, pois era muito difícil conversar comigo, respondia o que me perguntavam e as vezes nem isso. Essa situação toda me rendeu alguns meses de terapia, amava minha psicóloga, conversava muito com ela, chorei quando fui liberada. E, detalhe, sem nenhum “problema”.
Vivi até então sem muitos dos tais “problemas”, um pouco ansiosa as vezes, algumas fases de querer largar tudo, me esconder no cantinho do meu quarto e chorar por dias sem a companhia de ninguém, também em situações momentâneas de tristeza profunda, mas é a vida, isso acontece. Só tenho um problema que perdura desde que eu me entendo por gente: A nostalgia!
Falar disso pra mim é como navegar em um rio profundo estando a beira do barco, pronta para um mergulho profundo sem o uso equipamentos. As memórias vão vindo na imensidão de momentos vividos e me tomam por completo.
No dicionário a definição exata de nostalgia é:
Saudades de algo, de um estado, de uma forma de existência que se deixou de ter; desejo de voltar ao passado.
Melancolia profunda causada pelo afastamento da terra natal.
Eu a defino como uma pedra no meio do caminho, como no poema “Meio do Caminho” de Carlos Drummond de Andrade.
Nunca me esquecerei desse acontecimento
Na vida de minhas retinas tão fatigadas
Nunca me esquecerei que no meio do caminho
Tinha uma pedra
— Trecho do poema “Meio do Caminho”.
As vezes a “pedra” é um acontecimento incrível e super importante na nossa vida, como o primeiro emprego, ir a um show de um artista que admira ou mesmo o nascimento de um filho, esses são exemplos de situações dignas de nostalgia, porque são momentos felizes.
O problema é quando a nostalgia vem por meio de algo ruim, penetrando no fundo do ser e rasgando o coração. Quando a nostalgia vem da saudade que sentimos de nós mesmos, saudades de uma época nem tão boa da nossa vida mas que por um dado momento de tristeza essa época começa a se parecer bem melhor do que a que vivemos agora.
Sendo bem sincera sobre mim agora, essa nostalgia de épocas passadas é a que mais atrapalha o fluxo da minha vida. Nunca começo uma situação pensando “nossa, vou aproveitar muito e viver um momento inesquecível!” é sempre um “nossa, isso vai acabar e será tão triste”. O problema principal aqui não é pensar que será triste quando determinado momento feliz acabar, e sim começar tudo já pensando no fim.
Só sei viver no passado, até quando penso no futuro penso como se ele já estivesse no passado. Me imagino com filhos criados lembrando de como eles eram quando bebês, imagino-me lembrando como foi entrar na faculdade quando estiver formando-me, tudo isso sem viver nenhuma dessas experiências.
Quem dera a nostalgia fosse sempre boa, no meu caso, pelo contrário, ela é sempre ruim.
Ano passado mudei muito o meu ciclo social e comecei a me sentir melhor quanto a isso, fiquei verdadeiramente feliz no meio que me encontrava e não senti falta de nenhuma época antiga, pois soube que estava no lugar certo para mim. Recentemente tive uma grande recaída, a vida nem sempre é fácil, mas depois de viver um pouco sem me sentir nostálgica da hora que desperto até a hora que adormeço a minha vontade de me livrar desse sentimento ficou maior.
Hoje me encontro nostálgica pela época que vivi sem ser consumida pela nostalgia, mas agora faço o possível para tornar essa época o meu presente.
Me apeguei tanto ao passado que agora preciso ressignificar o presente e o futuro.


